Entre montanhas áridas do Irã, portas escuras surgem diretamente na rocha e revelam um cotidiano moldado pelas estações. Em Maymand, na província de Kerman, famílias agro-pastoris alternam moradias rupestres, abrigos temporários e áreas de pastagem. Esse sistema sazonal ainda define parte essencial da paisagem cultural.
Maymand preserva um modo de vida ligado ao relevo e às estações
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconhece a área como uma paisagem cultural semiárida. Ela fica nas montanhas centrais do Irã. O valor do lugar nasce da relação entre moradia, criação de animais, água, agricultura e deslocamentos determinados pelas mudanças do ano.
Esse sistema levou Maymand à Lista do Patrimônio Mundial em 2015, pelo critério cultural ligado às formas tradicionais de ocupação. A área inscrita soma 4.953,85 hectares, enquanto a zona de amortecimento alcança 7.024,65 hectares. Assim, a proteção alcança o núcleo rupestre e componentes ligados ao modo de vida agro-pastoril. A própria UNESCO destaca ainda práticas sociais, cerimônias e crenças associadas à relação da comunidade com o ambiente.
🏛️ 2001: A gestão patrimonial passa a contar com uma base dedicada a Maymand.
🌿 2015: A paisagem cultural entra na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
🚀 Hoje: A preservação depende também da continuidade das práticas sazonais da comunidade.
Como funciona o ciclo de três fases em Maymand?
A vida sazonal inclui abrigos temporários e pastagens - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O ciclo distribui a vida comunitária por três áreas sazonais, escolhidas conforme temperatura, pastagens e disponibilidade de recursos. A UNESCO classifica essa prática como uma variação regional de transumância. Nesse caso, o movimento das pessoas entre áreas definidas é mais marcante que a simples migração dos animais.
Do fim do inverno ao fim da primavera, famílias usam Sar-e-Āghol, onde existem abrigos baixos e estruturas protegidas do vento. Alguns são semienterrados, enquanto outros usam paredes de pedra seca e coberturas de galhos. No verão e começo do outono, seguem para Sar-e-Bāgh, perto de rios sazonais, jardins e antigas áreas agrícolas. As construções de verão podem usar madeira, pedra seca e cobertura vegetal. Quando o inverno se instala, descem ao vale e ocupam as moradias rupestres permanentes. Parte dos abrigos sazonais é reconstruída a cada ciclo.
As casas de inverno formam camadas dentro da própria rocha
As moradias trogloditas são o traço visual mais marcante da paisagem. Segundo a UNESCO, cerca de 400 kiches, nome dado às casas, foram identificadas. Desse conjunto, 123 unidades permanecem intactas. Algumas aparecem distribuídas em níveis que chegam a cinco casas de altura. Cada unidade pode reunir de um a sete cômodos para moradia e armazenamento.
Em um ambiente muito seco, a vida também dependeu de reservatórios, nascentes, rios sazonais e canais subterrâneos de água. Esses recursos abasteciam animais, pomares e pequenas áreas de cultivo. A paisagem conserva vestígios de terraços usados para trigo e cevada, além de antigos moinhos. A UNESCO registra estruturas empregadas no preparo de xarope de uva, ligando alimentação e uso do território. Essa rede mostra como arquitetura, água e produção formam uma mesma estratégia de adaptação.
O que observar ao conhecer essa paisagem cultural?
Maymand fica na província de Kerman, dentro do município de Shahr-e Babak, segundo a documentação oficial ligada à inscrição. O mapa oficial do patrimônio apresenta a área inscrita e suas coordenadas. Com ele, o visitante entende melhor a posição do vale e a relação entre assentamentos e montanhas.
Quem chega ao local encontra mais que entradas abertas na pedra. A galeria oficial da UNESCO documenta deslocamentos sazonais, criação de animais, atividades agrícolas e diferentes tipos de abrigo. A entidade também alerta que o turismo precisa apoiar, e não enfraquecer, as práticas locais. A integridade do patrimônio depende da continuidade dessas relações, não apenas da conservação das estruturas. Por isso, observar Maymand como paisagem viva ajuda a compreender seu valor sem reduzir o lugar a um conjunto de cavernas.
Fase sazonal
Período e moradia
Sar-e-Āghol
Do fim do inverno ao fim da primavera, com abrigos temporários adaptados ao vento.
Sar-e-Bāgh
Verão e início do outono, perto de rios sazonais, jardins e áreas agrícolas.
Vale de inverno
Meses frios, quando as famílias ocupam as casas permanentes escavadas na rocha.
Uma paisagem que continua viva
Maymand reúne arquitetura rupestre, criação de animais e deslocamentos sazonais dentro de um mesmo sistema cultural. A UNESCO considera essa continuidade vulnerável, pois mudanças sociais podem reduzir o uso dos assentamentos sazonais e das casas de inverno. Preservar o lugar significa manter estruturas, conhecimentos e práticas que ainda dão sentido à paisagem. A força de Maymand permanece justamente na ligação entre território, trabalho e memória comunitária. Se você gosta de paisagens que explicam como as pessoas vivem, conheça Maymand com tempo, atenção e respeito.
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