Matheus Leitão

Lula e Flávio Bolsonaro em sabatina no Jornal Nacional -- Metrópoles
Lula e Flávio Bolsonaro em sabatina no Jornal Nacional -- Metrópoles · Imagem: Reprodução/TV Globo

Ao proibir bets e anunciar alívio para famílias endividadas, Lula tenta ampliar vantagem contra Flávio na reta final do primeiro turno

Jogada de mestre de Lula com bets pode definir eleição
Jogada de mestre de Lula com bets pode definir eleição · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

26/09/2026 12:25

Reprodução/TV Globo

Lula estava nas cordas com Flávio Bolsonaro. Por mais surpreendente que pareça, chegou à reta final do primeiro turno com uma vantagem estreita sobre o adversário. A nove dias da votação, o presidente usou o poder que tem nas mãos para fazer uma jogada capaz de mudar a campanha, admitiram até bolsonaristas à coluna.

A medida provisória assinada nesta sexta-feira (25/9) proíbe as bets no país. Desde a publicação, elas não podem receber novos depósitos nem contratar publicidade ou patrocínios. Os apostadores poderão sacar o saldo que ainda têm nas plataformas até 5 de outubro. No dia seguinte, sites e aplicativos deverão sair do ar. Quem não sacar receberá o saldo por meio dos bancos entre 9 e 14 de outubro.

Lula anunciou ainda uma nova etapa do Desenrola, voltada à redução de dívidas das famílias, inclusive daquelas afetadas pelas apostas. É a combinação das duas medidas que interessa à campanha: fechar a porta para novas perdas e oferecer uma saída a quem já está endividado. O leilão previsto para viabilizar essa renegociação, porém, só deve ocorrer em novembro.

O presidente levou o combate às bets às ruas, como apoiadores vinham cobrando e a coluna adiantou. Agora transformou o discurso em medida provisória. Flávio reagiu e chamou Lula de “oportunista”, depois de passar os últimos dias chamando injustamente o presidente de “pai do Tigrinho” (esse tipo de cassino online foi incluído pela Câmara dos Deputados no projeto de regulamentação das bets).

As bets vinham causando danos à saúde das pessoas e às finanças das famílias. O governo precisava agir. Mas a proibição total, anunciada a nove dias da eleição, foi considerada radical. As empresas autorizadas a operar pagaram ao próprio governo outorgas de R$ 30 milhões, válidas por cinco anos, e firmaram contratos que agora terão de ser revistos, inclusive com clubes de futebol. A MP já está em vigor, mas ainda será examinada pelo Congresso. Até lá, o futuro dessas empresas permanece incerto.

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Foi a jogada mais importante de Lula para tentar definir a eleição. Quando precisava sair das cordas, o presidente colocou Flávio na posição de responder a uma iniciativa sua. O efeito nas urnas dependerá de como os eleitores receberão a proibição e de quanto confiarão na promessa de alívio para as dívidas, segundo cientistas políticos ouvidos pela coluna.