Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump abriram a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) com discursos que expuseram visões antagônicas sobre o multilateralismo.Enquanto o petista discursou em defesa do fortalecimento de organismos internacionais como a ONU; o presidente dos Estados Unidos fez críticas à atuação desse tipo de órgão. Leia também Matheus LeitãoEntre a ONU e as urnas: os recados de Lula ao Brasil Igor GadelhaO desencontro de Lula e Trump nos bastidores da ONU Ficou evidente nas manifestações que tanto Lula quando Trump reconhecem a existência de problemas no sistema internacional, mas os dois divergem na solução para tal crise.Para o presidente brasileiro, a resposta envolve a recuperação da capacidade de ação das organizações multilaterais, como reformar o Conselho de Segurança e ampliar a participação dos países nas decisões internacionais.Donald Trump, por outro lado, usou seu discurso para criticar a atuação da ONU, defendendo a necessidade de restringir a atuação do organismo enquanto defendeu uma atuação mais soberana dos Estados Unidos de forma individual, sem intervenção de outros países ou blocos internacionais.Mesmo sem fazer menções diretas, o presidente Lula fez um discurso marcado por recados aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump, em uma tentativa de marcar sua postura antagônica ao norte-americano. Os dois países têm enfrentado desavenças comerciais e políticas nos últimos meses, que chegaram a levar a uma crise diplomática entre as duas nações.81ª Assembleia Geral da ONUA Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares sendo realizadas entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas caso haja necessidade.O órgão é composto pelos 193 países-membros da ONU, que têm direito a um voto cada nas discussões.Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e de governo dos países que compõem a ONU. O evento ocorre em Nova York e é uma oportunidade para lideranças discursarem.Neste ano, o tema do evento é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.Recuperar a ONU x limitar sua atuaçãoNo que tange a atuação da Organização das Nações Unidas, o presidente Lula iniciou seu discurso dizendo que o fórum “nunca esteve com a credibilidade tão baixa”. Fez críticas à imobilização do Conselho de Segurança no enfrentamento às guerras e ao conflitos em curso no mundo, e reforçou a necessidade de uma reforma no fórum.Apesar disso, o mandatário brasileiro defendeu o multilateralismo e atuação do bloco como soluções para reduzir as assimetrias entre os países. Para o petista, como reforçou em seu discurso, a resposta à crise enfrentada no mundo passa pela recuperação da capacidade de atuação dos organismos mundial, criticando medidas unilaterais.“A ONU nasceu sob o signo da esperança. Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz”, disse em trecho do seu discurso.Enquanto Lula defendeu a atuação internacional dos país em busca do prol coletivo, Donald Trump fez críticas a esse modelo e atacou o globalismo. Em seu discurso, o presidente dos Estados Unidos declarou que a ONU precisa “parar de impor a agenda da extrema esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu“.Trump afirmou ainda que “não existe governo global” e defendeu a atuação dos Estados Unidos de forma soberana. Neste sentido o mandatário norte-americano citou as atuações de Washington no Irã e na Venezuela, e declarou a disposição do país em voltar atuar contra ameaças no América Latina.“Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América ganhem posição de destaque no hemisfério ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”, disse.4 imagensFechar modal.1 de 4Lula durante discurso na ONURicardo Stuckert/PR2 de 4Trump na ONUReprodução/ONU3 de 4Delegação brasileira na ONU, com Mauro Vieira e JanjaSam Pancher/Metrópoles4 de 4Assembleia Geral da ONU é realizada em Nova YorkONUPercepção divergente sobre Conselho de Segurança da ONUEmbora um crítico constante do modelo engessado do Conselho de Segurança da ONU, o presidente Lula ainda defende a atuação do órgão e voltou a pedir por uma reforma do colegiado, com a inclusão de mais países em busca de maior representatividade.“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, declarou Lula que, desde seu primeiro discurso na Assembleia Geral, em 2003, pleiteia um assento permanente para o Brasil no Conselho.Lula defende que a falta de representatividade dentro do Conselho beneficia seus membros, que votam conforme os próprios interesses. O atual modelo, defendem o petista e membros do governo brasileiro, não é capaz de evitar guerras nem de solucionar conflitos.Trump, por sua vez, cita positivamente o Conselho de Segurança ao relembrar posição do grupo que foram favoráveis aos Estados Unidos, como a resolução contra o Irã e o endosso ao plano de Gaza.Os dois líderes também divergiram aos citar guerras. Lula afirmou que “a guerra é o fracasso total da política” e defendeu a diplomacia como principal instrumento para solucionar conflitos. Trump, embora tenha falado em negociações de paz, apresentou o poder militar norte-americano como um dos principais instrumentos de sua política externa.“Estamos reafirmando o poder americano, incluindo o poder militar americano, onde for necessário em nossa região e em todo o mundo”, declarou o norte-americano.











