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A OpenAI admitiu ter errado na resposta após agentes de inteligência artificial acessarem sites do governo australiano sem autorização durante testes internos. A companhia levou três meses para comunicar o episódio às autoridades e reconheceu que deveria ter procurado diretamente os responsáveis.

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O caso foi discutido em uma investigação parlamentar sobre inteligência artificial na Austrália, que também colocou em debate o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais no treinamento de modelos. Representantes da OpenAI e da Anthropic foram questionados sobre a responsabilidade das empresas e os limites para o desenvolvimento de IA no país.

A OpenAI pediu desculpas publicamente por acessos não autorizados de seus agentes a portais do governo australiano. – Imagem: Vitor Miranda/Shutterstock

OpenAI reconhece falha na comunicação

Durante a audiência, o senador independente David Pocock questionou Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, sobre a decisão de enviar uma mensagem para um endereço genérico de um departamento, em vez de procurar diretamente as autoridades.

O executivo admitiu que a estratégia foi inadequada. “Em retrospecto, deveríamos ter feito o que você está sugerindo”, afirmou. Segundo Kwon, os funcionários trataram inicialmente o episódio como uma questão técnica e tentaram falar com equipes técnicas do governo.

“Não foi suficiente”, reconheceu.

A OpenAI informou que está revisando registros de treinamentos de agentes desde novembro de 2025. A análise identificou atividade em junho e busca verificar se houve outros episódios semelhantes.

Kwon disse que, caso novos incidentes sejam encontrados, os órgãos públicos serão avisados “muito, muito rapidamente”. A empresa também classificou a atividade nos sites australianos como menos sofisticada do que o ataque envolvendo a plataforma Hugging Face.

A forma como a OpenAI lidou com o episódio se tornou parte de uma discussão maior na audiência: à medida que sistemas de IA ganham capacidade de interagir diretamente com serviços e informações, empresas precisam responder não apenas pelo funcionamento desses modelos, mas também pela maneira como lidam com incidentes.

Direitos autorais entram na mesma discussão
Essa preocupação com os limites da atuação das empresas apareceu também no debate sobre treinamento de modelos. Nesse caso, o conflito envolve o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais e quem deve definir as condições para que esse material seja utilizado.
Jeffrey Bleich, enviado especial da Anthropic e ex-embaixador dos Estados Unidos na Austrália, negou que a empresa esteja tentando determinar como o país deve tratar o tema.
“Nunca tentamos ditar à Austrália” suas regras de direitos autorais, afirmou. Segundo Bleich, a companhia apenas explicou como o treinamento funciona e quais seriam as consequências das regras atuais para sua operação.
A Anthropic considera que a legislação australiana pode exigir uma licença para cada conteúdo usado no treinamento. Bleich classificou essa exigência como “tecnicamente impossível”.
A empresa também demonstrou interesse em discutir com o governo formas de incentivar o treinamento de modelos no país. Segundo Bleich, a Austrália poderia participar do desenvolvimento de modelos avançados caso eles fossem treinados localmente.
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O debate passou a reunir questões que vão além da capacidade técnica dos sistemas:
- como tornar viável o treinamento de modelos dentro da Austrália;
- quem deve definir as condições para uso de conteúdos protegidos;
- como preservar os interesses de artistas e produtores;
- como distribuir os custos e responsabilidades entre empresas e detentores de direitos.
A Anthropic garante que revisou centenas de milhões de registros e não encontrou interações indevidas com o governo. – Imagem: jackpress/Shutterstock
Setor criativo cobra proteção
As propostas das empresas de IA, no entanto, enfrentaram resistência entre organizações que representam artistas, veículos de comunicação e outros profissionais do setor criativo. O principal receio é que uma mudança nas regras transfira para os detentores dos direitos o custo de acompanhar e controlar o uso de suas obras.
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Essa preocupação foi expressa por Annabelle Herd, presidente-executiva da Australian Recording Industry Association (Aria). Segundo ela, os artistas australianos podem ser prejudicados caso o país altere suas leis para atender aos interesses das companhias de tecnologia.
A mesma posição foi defendida pela ABC. Kate Gilchrist, responsável pelas operações jurídicas e de conteúdo da emissora, afirmou que um sistema de exclusão obrigaria os detentores dos direitos a monitorar continuamente onde seus trabalhos são publicados e utilizados.
Diante desse cenário, a Media Entertainment and Arts Alliance (MEAA), sindicato que representa profissionais do entretenimento e das notícias, defendeu uma alternativa: um modelo de remuneração para empresas de IA. A proposta prevê pagamentos aos profissionais cujo trabalho contribui para esses sistemas e a criação de um fundo destinado a atividades culturais, musicais e jornalísticas.
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As audiências da investigação parlamentar australiana seguem até sexta-feira, com os parlamentares discutindo como equilibrar o desenvolvimento da inteligência artificial, a responsabilidade das empresas e a proteção de quem produz o conteúdo usado por esses sistemas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: anthropic Austrália direitos autorais Inteligência Artificial OpenAI


