O Parque Municipal Natural do Brejo Grande é uma área protegida localizada no estado de Minas Gerais, Brasil. O parque foi criado pela Lei no 907, de 6 de agosto de 1980 passou a integrar o cadastro de unidades de conservação do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG) em 1988 e foi tombado pelo Decreto Municipal no 1.078/2003, sendo administrado pelo município de Paraisópolis.
Características A região está inserida no bioma da Mata Atlântica, com o Parque do Brejo Grande constituindo um importante remanescente florestal. Também abriga uma represa, cuja construção foi finalizada em 1971, mas que por problemas de projeto, não é utilizada no abastecimento de água da cidade, servindo para uso da fauna da região. A partir de 2019, o município de Paraisópolis passou a receber recursos do chamado ICMS Ecológico em razão do reconhecimento estadual da unidade de conservação. Os recursos são destinados à manutenção e melhorias da infraestrutura do parque. Em 2021, a barragem existente no interior do passou por intervenções emergenciais após ser classificada com nível 3 de risco de rompimento pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros. Como medida preventiva, famílias residentes na área próxima à represa foram retiradas de suas casas e o acesso ao parque foi temporariamente interditado para a realização de obras de recuperação da estrutura. Segundo a Prefeitura de Paraisópolis, as ações tiveram caráter preventivo e incluíram a redução do nível da água da represa, assistência social às famílias afetadas e busca de recursos estaduais e federais para regularização e recuperação da barragem.
Biodiversidade
Flora A região de Paraisópolis está localizada numa zona de tensão ecológica, apresentando floresta ombrófila mista (floresta de araucária) e floresta estacional semidecidual. Dentre as principais espécies identificadas em estudo realizado em 2023, encontram-se:
Floresta de araucária: araucária (Araucaria angustifolia), Mimosa scabrella, Ocotea spp., Nectandra spp., Eugenia spp., Myrcia spp., Calyptranthes spp., Myrceugenia spp., Myrciaria spp., Psidium spp., Miconia spp.,Tibouchina spp., Vernonanthura spp., Gochnatia spp., Prunus myrtifolia, Solanum pseudoquina, Alchornea spp., Inga spp., Drymis brasiliensis, Myrsine spp., Sebastiania commersoniana, Cabralea canjerana e uma Arecaceae, a guaricanga (Geonoma schottiana). Mata secundária (estacional): Aegiphila sellowiana, Aloysia virgata, Anadenantlera peregrina, Croton spp., cedro-rosa (Cedrela fissilis), Ficus spp., Inga spp., Machaerium spp., Miconia spp., Nectandra spp., Ocotea spp., Sapium glandulosum, Zanthoxylum spp.. Além das plantas fanerógamas, também identificou-se na floresta ombrófila mista a presença da samambaia-açu (Dicksonia sellowiana), espécie em risco de extinção.
Fauna Dentre os exemplares identificados da avifauna, destacam-se o uiraçu-falso (Morphnus guianensis), espécie considerada em perigo pelo ICMBio; o Cyanocorax cristatellus, que ajuda na dispersão de sementes de araucária; e aves aquáticas que se utilizam do corpo d'água da represa, como a Dendrocygna autumnalis, a Tachybaptus dominicus e a Ceryle torquata, que se alimenta preferencialmente de peixes. Na mastofauna, foram identificadas 37 espécies de mamíferos nativos, como a onça pintada (Panthera onca), suçuarana (Puma concolor), gato-maracajá (Leopardus wiedii), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), queixada (Tayassu pecari), bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans), todos considerados vulneráveis; o gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus), considerado em perigo, e o bugio (Alouatta guariba guariba), em risco de extinção. Dentre os roedores, foram avistados a paca (Agouti paca), a lebre (Sylvilagus brasiliensis) e a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris). E representando os artiodáctilos, o veado-mateiro (Mazama americana) e o cateto (Tayassu tajacu). A ictiofauna apresenta espécies que foram introduzidas na represa, por seu valor comercial e alimentício, como a tilápia (Tilapia rendali), a traíra (Hoplias sp.) e o black bass (Micropterus salmonoides). O lambari (Astyanax sp.) é uma das espécies nativas, mas cuja população decaiu depois da introdução das espécies predadoras. Na herpetofauna, quelônios como os cágados (Mauremys sp.), que eram comuns na região, tiveram sua população reduzida pela pesca predatória nos rios e córregos da região. Dentre os lagartos, destacam-se o teiú (Tupinambis sp.), o papa-vento (Enyalius sp.) e a lagartixa (Hemidactylus sp.). Entre as serpentes, as mais comuns no município são a jararaca, a jararacuçu e a urutu (Bothrops sp.), a cascavel (Crotalus sp.), a coral (Micrurus sp.) e a caninana (Spilotes sp.). E dentre os anuros mais comuns estão o sapo-cururu (Bufo sp.), o sapo-martelo (Hypsiboas faber), o sapo-foi-gol (Physalaemus cuvieri), o sapo-boi (Proceratophys sp.), a rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus) e a perereca-de-banheiro (Scinax sp.).
Atividades A principal atividade a ser realizada no parque, é a trilha, mas há também os voos de parapente principalmente pela existência do Pico do Machadão. As visitações ao parque são realizadas de forma guiada, mediante autorização prévia concedida pela Defesa Civil da Prefeitura Municipal de Paraisópolis.
Referências
Ligações externas «APA Água Santa de Minas». Consultado em 18 de maio de 2026

