Belo Horizonte – O Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, em Belo Horizonte, terá uma programação especial neste sábado (26/9), das 10h às 18h. O espaço, instalado na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de Minas Gerais, receberá atividades culturais gratuitas, como pintura de fachada, grafite, música, feira, batalha de slam e visita mediada.A programação integra a Primavera dos Museus e terá como um dos principais destaques a pintura ao vivo da nova fachada do Memorial. O trabalho será realizado pelo artista 2Lipa. Outros ambientes do prédio também receberão intervenções de grafite, com trabalhos de Goma, do coletivo Garatuja, Marola, Najma e Thai.A programação começa às 10h, com uma visita mediada pelo prédio. A atividade apresenta a história do imóvel e aborda as violações de direitos humanos ocorridas no local durante o período da ditadura militar.Ao longo do dia, o público também poderá visitar a Feira de Artesanato e Quitandas do Mãos Solidárias, do MST, e acompanhar a Batalha de Slam do Coletivo Brota. A agenda inclui ainda apresentação de Sandrão Eletrorgânico e música eletrônica com DJ BDT Selectah.Também haverá venda de comidas e bebidas no local.Obras de arte terão preços promocionaisA partir das 11h, o Memorial promove o Grande Saldão Piolho Nababo. A ação reunirá obras de arte disponíveis na galeria localizada no quarto andar do prédio, com preços promocionais voltados, segundo os organizadores, a jovens colecionadores.A renda obtida durante a programação será destinada aos custos de manutenção da Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado e das atividades desenvolvidas no espaço.Desde que foi ocupado por movimentos sociais, o prédio passou a receber visitas mediadas, exposições, sessões de cinema, debates e outras atividades abertas ao público. Segundo informações divulgadas pela associação, cerca de 10 mil pessoas já participaram de visitas mediadas e mais de 30 mil estiveram nas atividades realizadas no local e no entorno.De sede do Dops a memorial de direitos humanosO prédio localizado na Avenida Afonso Pena, 2351, foi sede do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais e também abrigou estruturas ligadas ao DOI-Codi durante a ditadura militar. O imóvel foi utilizado para ações de repressão política, incluindo prisões, interrogatórios e torturas.11 imagensFechar modal.1 de 11Pichação interna no muro da cadeiaDaniel Galera/Metrópoles2 de 11Escadaria de entrada do antigo DOPS em BHDaniel Galera/Metrópoles3 de 11Sala de tortura e interrogatório dos presos4 de 11Corredor com fotos de pessoas que passaram pelo DOPS e personagens homenageadasDaniel Galera/Metrópoles5 de 11Sala de tortura onde os presos eram "afogados" em uma piscina e depois levados para uma sauna quente: Sala Esquenta-esfria6 de 11Mural da entrada do memorialDaniel Galera/Metrópoles7 de 11Foto da ex-presidente Dilma Roussef no período do regime militarDaniel Galera/Metrópoles8 de 11Sala de tortura e solitária acimaDaniel Galera/Metrópoles9 de 11Fachada do prédio do memorial/Vista da Avenida Afonso Pena em BHDaniel Galera/Metrópoles10 de 11Um das celas onde onde os presos ficavamDaniel Galera/Metrópoles11 de 11Parede dentro do presídio com arte e pichação feita pelos ocupantesDaniel Galera/MetrópolesApós o fim da ditadura, o Dops foi extinto em 1989. O prédio passou por outros usos até que a transformação do imóvel em espaço de memória começou a ser formalizada. Em 2000, uma lei estadual determinou a criação do Memorial dos Direitos Humanos no antigo prédio do Dops.O imóvel foi tombado pelo município em 2013 e pelo estado em 2016. Em 2018, foi inaugurado formalmente como espaço de memória, mas não chegou a funcionar de maneira contínua. Leia também Minas GeraisTemporal causa estragos em Varginha e suspende visitas ao Memorial do ET Fábia OliveiraAtor Rui Rezende será velado no Memorial do Carmo, no Rio São PauloSementes do Memorial dos Mamonas começam a germinar. Fãs podem visitar Minas GeraisPrédio do DOI-Codi que foi centro de tortura em BH vira memorial Em 1º de abril de 2025, movimentos sociais ocuparam o prédio e passaram a utilizá-lo como Memorial dos Direitos Humanos Ocupado. Desde então, o espaço voltou a receber o público com atividades culturais, debates, exposições e visitas mediadas.Em abril de 2026, foi criada a Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, formada por integrantes dos movimentos envolvidos na ocupação.O prédio é tombado pelos patrimônios municipal e estadual e está em processo de reconhecimento federal. A ocupação e a reivindicação pela implantação do memorial também são acompanhadas por órgãos públicos e já foram discutidas em audiências na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.A programação deste sábado busca aproximar a população do espaço e reunir memória, direitos humanos, arte e participação social.ServiçoPrimavera dos Museus — Memorial dos Direitos Humanos OcupadoData: 26 de setembro de 2026Horário: das 10h às 18hLocal: Memorial dos Direitos Humanos OcupadoEndereço: Avenida Afonso Pena, 2351, Belo HorizonteEntrada: gratuita e aberta ao público














