Em um dos casos, a PM atirou no homem quando ele já estava caído no chão, e o segundo após os agentes confundirem celular com arma

13 out 2026 - 14h20

(atualizado às 14h30)

Compartilhar

- Por: Redação Terra

Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi atingido por arma de choque antes dos tiros, na Zona Norte da capital; três policiais foram afastados

Foto: Reprodução / Estadão

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo declarou, nesta terça-feira, 13, que “não tolera desvios de conduta de seus agentes e apura com rigor as circunstâncias” de dois casos que ganharam repercussão nos últimos dias. Dois homens, de 40 e 20 anos, foram mortos por policiais militares, em diferentes bairros da capital paulista, com mais de 20 tiros. Em ambos os casos, os PMs foram afastados de suas funções e tiveram as armas apreendidas para perícia.

- Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra

O primeiro deles ocorreu no último dia 3 de outubro, na Rua Afonso Lopes Vieira, na Vila Dionísia, na Zona Norte. Testemunhas gravaram o momento em que policiais militares dispararam ao menos 24 vezes contra Antonio Nunes Batista, de 40, durante uma abordagem.

Nas imagens, a vítima aparece caindo na via após ser atingida por uma arma de choque e em seguida sendo alvo dos disparos de arma de fogo. Ao Terra, a SSP informou que a PM foi acionada para atender ao caso envolvendo um homem, aparentemente em surto, que estava com uma faca e uma barra de ferro, ameaçando pedestres.

Ainda conforme a pasta, ele teria avançado na direção dos policiais que “utilizaram dispositivos de eletrochoque por duas vezes, sem sucesso”. “Diante da continuidade da ameaça, os agentes efetuaram disparos de arma de fogo. O homem foi socorrido à UPA Peri 3, mas não resistiu”.

As armas dos agentes foram apreendidas e as imagens das câmeras corporais foram solicitadas para análise. Também foram requisitados exames necroscópico e toxicológico ao Instituto Médico Legal (IML).

O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e, paralelamente, foi aberto Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento da Corregedoria da PM.

Câmeras registraram que vítima já estava caída no chão quando PMs atiraram

De acordo com a TV Globo, os três policiais alegaram no registro policial feito no DHPP ter atirado com suas armas de fogo para conter a suposta agressão, que, segundo eles, teria continuado. A gravação, no entanto, mostra que os disparos começaram quando Antonio já estava no chão. O boletim de ocorrência informa ainda que nenhum dos agentes estava equipado com câmera corporal.

As imagens gravadas por testemunhas mostram que Antonio aparenta tentar deixar o local, antes de ser atingido pela arma de choque. Nesse momento, os policiais utilizam o dispositivo e a vítima cai no asfalto. Os disparos começam logo depois, enquanto ele permanece no chão. A gravação não permite identificar com clareza o que foi dito durante a abordagem nem reconstituir os acontecimentos anteriores ao trecho registrado.
Segundo o boletim de ocorrência, a perícia recolheu no local 24 estojos deflagrados de munição calibre .40, um fragmento de projétil e três cartuchos de arma de eletrochoque.
Também foram apreendidos uma faca com cabo de plástico branco e um garfo de churrasco danificado. A barra de ferro citada pelos policiais no relato da ocorrência não consta na relação de objetos recolhidos pela perícia.
PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem em SP
Foto: Reprodução/TV Globo
Ainda conforme o registro, embora os três PMs que efetuaram os disparos não usassem câmeras corporais, o policial responsável por conduzir a ocorrência e outros agentes ouvidos como testemunhas estavam equipados com o dispositivo. O boletim informa ainda que, ao pedir acesso imediato às gravações, a Polícia Civil foi orientada a fazer uma solicitação formal ao órgão responsável.
Em nota, a PM afirmou que reforça seu compromisso com a transparência e a rigorosa apuração de todas as circunstâncias da ocorrência, assegurando que eventuais irregularidades identificadas sejam tratadas nos termos da legislação vigente.
Segundo caso em uma semana
O caso de Antônio veio à tona após o jovem Gustavo Munis de Santana ser morto na madrugada do último sábado, 10, na Alameda dos Guaramomis, em Moema, na zona sul. Os agentes teriam relatado que confundiram o celular que o rapaz carregava com uma arma de fogo.
Na versão relatada à Polícia Civil, a PM foi acionada pois Gustavo estaria “transtornado” e ameaçando tirar a própria vida com um disparo. Os policiais afirmaram que ele apresentava "postura ameaçadora" e ficava "colocando a mão na cintura". Quando a primeira viatura chegou ao local, o jovem teria atravessado a passarela e se abrigado em um imóvel na Alameda dos Guaramomis.
Outras três viaturas foram encaminhadas para o ocorrência. Em determinado momento, Gustavo teria saído de uma área escura do imóvel, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado "para um objeto escuro".
Na sequência, os PMs efetuaram os disparos contra o rapaz. Dos 45 tiros de pistolas calibre .40, 27 o teriam acertado. Os disparos foram efetuados por quatro policiais diferentes. O caso foi registrado pelas câmeras corporais dos agentes.
As informações preliminares colhidas pela perícia horas depois do crime apontam que as imagens mostram Gustavo vindo de uma área escura, junto à fachada de um imóvel, e estendendo os braços para apontar algo na direção da rua antes de os policiais abrirem fogo.
Gustavo Munis de Santana
Foto: Reprodução/TV Globo
Segundo o boletim de ocorrência, o objeto preto para o qual o jovem apontava era um aparelho celular, que foi apreendido, assim como as armas usadas pelos policiais.
Sobre o caso, a SSP afirmou que, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos. Ainda de acordo com a pasta, as imagens das câmeras corporais estão em análise. Assim como o de Antônio, o caso é investigado pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento da Corregedoria da PM.
Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Cidades Notícias


