Galileo Educacional (oficialmente Galileo Gestora de Recebíveis S/A) foi um grupo financeiro e educacional brasileiro que atuou como mantenedor da Universidade Gama Filho (UGF) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) entre os anos de 2011 e 2014. O grupo tornou-se notório devido à crise administrativa e financeira que culminou no fechamento definitivo das duas instituições pelo Ministério da Educação (MEC).
Histórico e Aquisições O grupo Galileo assumiu o controle das mantenedoras da Universidade Gama Filho e da UniverCidade em agosto de 2011. Como ambas as universidades eram entidades filantrópicas e, por lei, não podiam ser comercializadas, o grupo efetuou o pagamento de aproximadamente R$ 234 milhões em indenizações aos antigos controladores (as famílias Gama e Levinsohn) para que estes se retirassem do mercado de ensino superior por um período determinado.
Engenharia Financeira e Debêntures Para financiar a operação de assumir as faculdades, a Galileo Gestora de Recebíveis emitiu 100 debêntures no valor de R$ 1 milhão cada. A garantia oferecida aos investidores eram as mensalidades futuras dos cursos de Medicina, considerados os ativos mais valiosos da Universidade Gama Filho.
Crise administrativa e financeira A partir de 2012, a gestão da Galileo passou a enfrentar greves sistemáticas de professores e funcionários devido a atrasos salariais e falta de repasses de encargos sociais. Em julho de 2013, cerca de 50 estudantes ocuparam a reitoria do campus de Piedade em protesto contra o sucateamento da infraestrutura e a suspensão de aulas. Em 2014, o relatório final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Alerj apontou que o grupo possuía dívidas superiores a R$ 900 milhões e recomendou o indiciamento de reitores e ex-controladores do grupo por má gestão e desvio de finalidade.
Descredenciamento Em 13 de janeiro de 2014, o Ministério da Educação determinou o descredenciamento oficial das duas instituições mantidas pela Galileo, citando a "baixa qualidade acadêmica" e a "insolvência financeira" do grupo mantenedor. O episódio deixou cerca de 15 mil alunos sem aulas e resultou no abandono de diversos campi históricos, como o de Piedade, no Rio de Janeiro.
Falência O fim das atividades do grupo foi marcado por uma série de decisões judiciais e administrativas:
Janeiro de 2014: O MEC efetuou o descredenciamento oficial da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, citando a insolvência financeira e a queda na qualidade do ensino. Março de 2014: Com uma dívida estimada em mais de R$ 1,5 bilhão, a Galileo Educacional entrou com pedido de recuperação judicial. Maio de 2016: A Justiça do Rio de Janeiro decretou oficialmente a falência do Grupo Galileo, encerrando juridicamente suas atividades e iniciando a disputa judicial para o pagamento de credores e ex-funcionários. Abril de 2023: o processo de falência ganhou um novo desdobramento quando a 7a Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou a quebra de sigilo bancário e fiscal dos herdeiros de Ronald Levinsohn. A medida visa identificar possíveis desvios de recursos para empresas ligadas à família e paraísos fiscais, na tentativa de quitar dívidas que superam os R$ 500 milhões com funcionários e fornecedores.
Campus de Piedade Após anos de abandono dos imóveis pertencentes ao grupo, o campus da Gama Filho no bairro de Piedade foi desapropriado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 2023, os prédios principais foram implodidos para dar lugar à construção do Parque Piedade Arlindo Cruz, um projeto de revitalização urbana para a Zona Norte do Rio.
Ver também Universidade Gama Filho Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro
Referências