O plebiscito sobre a emancipação da região administrativa da Barra da Tijuca ocorreu no Rio de Janeiro em 3 de julho de 1988.
Contexto O Rio de Janeiro já estava em crise financeira pelo menos desde os governos militares na década de 1970. Em 1987, ocorria uma mobilização pela separação da Barra da Tijuca, liderada pelo empresário Roberto Medina, sob o argumento de que o bairro estaria abandonado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Em entrevista ao Globo, Medina afirmaria que existiria um processo de favelização na região, resultando no surgimento de 26 favelas em 7 anos na região. A campanha havia sido impulsionada pelo sucesso do Rock in Rio 1985 e pela adesão por personalidades como Zico, Kadu Moliterno, André de Biasi e o campeão de voo livre Pepê Lopes. Por outro lado, os moradores da Barra Glória Pires, Ivan Lins, Stepan Nercessian e Ronaldo Bôscoli haviam se posicionado contra a separação, liderados pelo prefeito Saturnino Braga e pela administradora regional Vera Chevalier. Membros e militantes do PDT, PMDB, PT, PC do B, PV e PSB se organizaram contra a emancipação, adotando a estratégia de boicotar a votação para que o plebiscito não alcançasse o quórum para ter validade.
Votação e resultados As urnas de votação ficavam nas portarias de alguns condomínios, bastando os moradores descerem o elevador para votarem. Para as seções eleitorais mais afastadas, foram disponibilizados ônibus para transportar eleitores, mas o boicote liderado por Braga e Chevalier prevaleceu. Além do boicote, o GP da França pelo Campeonato Mundial de Fórmula 1 colaborou para a alta quantidade de abstinências. Cada seção eleitoral tinha, em média, 500 eleitores. Nenhuma seção contou com mais de 50% de presença dos eleitores aptos. A seção com mais votos positivos estava localizada dentro do condomínio de luxo Nova Ipanema. Nenhuma seção em Vargem Grande recebeu mais que 13 votantes, enquanto em Vargem Pequena as seções apresentaram uma presença média de 5%, tendo a mais procurada 35 pessoas. Devido à baixa presença de votantes, os mesários consideraram entediante trabalhar nas seções. Dos votos válidos, os favoráveis à emancipação ultrapassaram a marca de 93%. Mas, uma vez que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro havia exigido o quórum de 50% dos eleitores do bairro, o plebiscito resultou na manutenção da Barra da Tijuca sob tutela do Rio de Janeiro.
Eleitorado: 47.955 Abstenção: 41.738 (87,04%) Comparecimento: 6.217 (12,96%)
Após o plebiscito Em 2022, a emancipação da Barra da Tijuca foi novamente debatida entre grupos de moradores ligados à Associação Nacional e Internacional de Imprensa, ao Instituto Lagoa Viva e à Ordem dos Advogados do Brasil. Mesmo sob críticas do presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, planejava-se marcar um novo plebiscito para o ano seguinte. O referendo não ocorreu, mas em 2025 o Rio de Janeiro criou a Zona Sudoeste, que separa as regiões da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá da Zona Oeste.
Ver também Zona Sudoeste do Rio de Janeiro Referendos no Brasil
Referências