O sítio arqueológico do Dorgão é um sítio arqueológico localizado no bairro Quilombo, no município de Conceição dos Ouros, no sul do estado de Minas Gerais, Brasil. O sítio é descrito em relatórios patrimoniais municipais como uma estrutura circular situada no alto de uma montanha, interpretada inicialmente como uma casa subterrânea associada a populações jê meridionais, ou como um "muro circular de terra". O Dorgão integra o conjunto de sítios e vestígios arqueológicos conhecidos em Conceição dos Ouros, município onde foram registrados contextos associados tanto à tradição tupiguarani quanto a estruturas atribuídas a populações Jê. Sua identificação é citada no contexto das pesquisas arqueológicas desenvolvidas no município a partir do final do século XX e início do século XXI, envolvendo instituições como o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e equipes de arqueologia contratadas para diagnósticos e salvamentos.
Localização O sítio está situado no bairro Quilombo, em Conceição dos Ouros, no alto de uma montanha. Localiza-se em área associada à Serra do Quilombo, também conhecida em fontes turísticas como Morro do Quilombo ou Serra Careca, uma das elevações e referências paisagísticas de Conceição dos Ouros.
Contexto arqueológico municipal Conceição dos Ouros possui um conjunto expressivo de achados arqueológicos registrados desde meados do século XX. Segundo relatórios patrimoniais municipais, há informações sobre evidências materiais encontradas durante obras urbanas desde 1957, e as primeiras escavações arqueológicas conhecidas no município ocorreram em 1998, quando técnicos do IEPHA intervieram em uma área de sepultamento no centro da cidade, resgatando urnas funerárias com evidências ósseas. Em 2000, novo resgate arqueológico realizado por técnicos do IEPHA recolheu outra urna funerária e contas de cristal, também em contexto associado à tradição tupiguarani. Em 2001, diante da ampliação do conhecimento sobre os vestígios arqueológicos locais, a Prefeitura Municipal de Conceição dos Ouros firmou convênio com a UFMG para a realização de escavações em diferentes pontos do município, incluindo os sítios Fazenda do Pinhal, Creche, Lico e Dorgão. Nesse quadro, o Dorgão diferencia-se dos sítios predominantemente associados à tradição tupiguarani por apresentar uma estrutura circular interpretada como casa subterrânea ou muro circular de terra, associada a populações jê meridionais.
Pesquisas arqueológicas O sítio foi investigado em uma das frentes de escavação desenvolvidas pela equipe da UFMG em Conceição dos Ouros. Segundo relatório da Fundação Araporã, a intervenção arqueológica no Dorgão identificou uma estrutura circular no alto de uma montanha no bairro Quilombo. Essa estrutura foi descrita como uma casa subterrânea, tipo de construção arqueológica associado a populações do tronco linguístico Jê, mais especificamente aos jê meridionais. Relatório posterior da mesma fundação descreve o Sítio do Dorgão como uma depressão circular em alto de montanha, reconhecida inicialmente como "habitação subterrânea jê" ou "muro circular de terra", informando que foram realizadas escavações no local com retirada de material para datação, e que no entorno do sítio foram identificadas depressões do tipo cupule. As pesquisas realizadas no município, incluindo a intervenção no Dorgão, contribuíram para a elaboração de um primeiro mapa dos vestígios arqueológicos de Conceição dos Ouros, produzido a partir do trabalho conjunto da equipe da UFMG e do arqueólogo Paulo Araújo de Almeida.
Características A principal característica conhecida do sítio é a presença de uma estrutura circular escavada no solo, situada em área elevada. Esse tipo de estrutura é interpretado na literatura arqueológica como casa subterrânea, isto é, uma intervenção arquitetônica realizada diretamente no terreno, com escavação do solo para a construção de uma habitação parcialmente subterrânea. Segundo a descrição dos relatórios patrimoniais, nessas estruturas apenas a cobertura ficaria visível externamente, enquanto a parte habitacional se encontraria abaixo do nível do solo. A associação desse tipo de construção aos jê meridionais insere o sítio do Dorgão no conjunto de evidências arqueológicas relacionadas a grupos indígenas de tradição jê no sul e sudeste do Brasil. A menção a depressões do tipo cupule no entorno do sítio indica a existência de outras marcas ou estruturas de interesse arqueológico nas proximidades da depressão circular principal, embora os relatórios públicos consultados não apresentem descrição detalhada desses vestígios.
Preservação e educação patrimonial O sítio é mencionado no contexto de ações municipais de diagnóstico, prospecção arqueológica e educação patrimonial voltadas ao patrimônio arqueológico de Conceição dos Ouros. Embora o foco principal desses programas tenha sido o sítio arqueológico do Lico, os relatórios apresentam o Dorgão como parte do conjunto de referências arqueológicas municipais e regionais. O Dorgão aparece como uma das evidências que compõem a memória arqueológica do município na documentação da Fundação Araporã, no contexto da relação entre as ações de educação patrimonial e a necessidade de aproximar a população local do conhecimento arqueológico, e fortalecer a gestão do patrimônio cultural.
Referências